Biodança - perguntas e respostas pessoais
 

        O texto abaixo complementa meu texto  "Por que a Biodança não emplacou?"


1) 
A Biodança foi boa para você?

        Ter feito biodança de 1994 (quando entrei) a 1997 foi sem dúvida uma das melhores coisas que já fiz na vida. A biodança me melhorou e muito.

        Quanto ao período em que continuei na biodança (1997 a 2003, com diversas pausas), tive mais alguns aprendizados, mas tive também muitas decepções. Tenho minhas dúvidas se fazer biodança neste período me fez mais mal ou mais bem.

2) Qual a opinião das pessoas que fizeram Biodança, e que não fazem mais?

        É praticamente impossível de se saber. Uma das coisas que sempre critiquei foi que, quando alguém deixava um grupo de Biodança, não se procurava saber quais os motivos reais dessa pessoa, nem procurava se acompanhar como ficavam as lembranças da Biodança para essa pessoa no médio/longo prazos.

        Eu mantenho contato com várias pessoas que fizeram biodança, e observei algo muito interessante: há uma grande diferença entre o que as pessoas falam em conversas informais e o que elas falam em resposta a uma pergunta mais formal. Tempos atrás, vi meu amigo "A" e minha amiga "S" fazendo diversas críticas à Biodança, que inclusive serviram de inspiração ao meu texto "Por que a Biodança não emplacou?" Quando, porém, eu estava fazendo um texto, e fiz um questionariozinho para me embasar melhor, a amiga "S", a pessoa mais "em cima do muro" que já vi na vida, disse que não responderia porque "já fazia tempo que não fazia biodança". Da mesma forma, minha amiga "V" foi a musa inspiradora de 2 pontos do meu texto, em conversas orais, mas teve uma postura diferente ao receber o texto por e-mail - embora não discordasse objetivamente de nada..  

        Sei, porém, que muitas pessoas saíram com uma certa mágoa / decepção em relação à biodança.


3) "Mágoa / decepção?" Por quê?

        Acho que tem a ver com a forma muito "entregue" com a qual as pessoas participam dos grupos. A gente acha que nos grupos só têm pessoas bacanas, esquecendo que em qualquer lugar existem pessoas de todos os tipos, e em qualquer lugar existem sentimentos menos nobres como inveja, exibicionismo, etc.
        É um pouco chato perceber que aquela afetividade toda demonstrada pelos grupos, ou pelas pessoas individualmente, por vezes existe apenas durante as vivências, não subsistindo no mundo real. Fica uma certa sensação de ter sido enganado, ou de ter participado de um grande teatro - um teatro onde cada um acredita estar sendo sincero, mas que nem por isso deixa de ser um teatro.
        Quer um exemplo? Havia uma colega minha que teve que deixar o grupo porque teve um problema na coluna. Ela ficou super decepcionada ao ver que praticamente ninguém do grupo se interessou por saber como ela estava, quando ela deixou de ir, mesmo todos sabendo que ela tinha tido o problema. Estivesse ela no grupo, haveria um monte de abraços, sorrisos e declarações de afeto. Bastou ela ter um problema e sair...
        Isso para não falar de pessoas que são super carinhosas e afetuosas no grupo, mas vá você tentar convidá-las para uma reunião, ou para uma simples caminhada no parque... verá que ele não tem nenhuma disponibilidade no "lado de fora"... Isso se repetindo ao longo de anos faz a gente olhar as coisas de forma algo diferente... Ver as fotos de certos grupos e se perguntar "Que fim levou este pessoal todo? Que contato mantivemos? Quão real foi aquilo tudo?"  

4) E qual a opinião das pessoas que fizeram Biodança, e que ainda fazem?

        A maioria delas evidentemente gosta da biodança de uma forma algo incondicional. Meus conhecidos que ainda fazem biodança, e para os quais mando meu texto "Por que a biodança não emplacou?", geralmente não rebatem nenhum ponto, mas também não dizem que concordaram. Simplesmente não concordam nem discordam... e nem sei por que me surpreendi com isso no começo, se a biodança, apesar das vivências de "Identidade", não estimula a contestação e o espírito crítico. 


5) 
Por que você acha que a biodança está em decadência?

        Só posso falar em relação a Brasília, pois não acompanho como estão os grupos no Brasil ou no exterior. Mas em Brasília a decadência, em relação a meados da década de 90, é evidente. 
        Em 1995 havia diversos grupos grandes, havia ao menos uma facilitadora com 3 grupos, que tinham 20 a 30 pessoas cada um. As pessoas viviam trazendo seus amigos para os grupos. 
        Hoje em dia (2005) até facilitadoras bem conhecidas têm dificuldades de formar grupos, e os grupos que existem são pequenos, e, na minha opinião, bem "desenergizados". 
        Até no Orkut as Comunidades relacionadas a "Biodança" ou "Biodanza" são pequenas e bem "paradas".
   
     Boa parte dos meus novos amigos nem faz idéia do que seja biodança, o que não deveria ter acontecido com uma terapia que, 10 anos atrás, empolgava tanta gente!

(primeira versão: fev/2005)


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