Dicas (diferentes) para fazer boas viagens!
I - Viaje PARA ONDE VOCÊ quer
(e não para onde os outros querem que você vá!)
Cada vez que a gente resolve ir para um lugar
que não seja um destino clássico, logo vem gente
criticando nossa escolha e dizendo “mas por que
você não vai para tal lugar?”
Bom, aí eu pergunto: você come a comida que
você gosta, ou a comida que os outros gostam?
Você ouve as músicas que você gosta, ou as
músicas que os outros gostam? Então, você quer
viajar para onde você tem vontade, ou para onde
pessoas com gosto totalmente diferente do teu
dizem que você deveria ir?
Alguns dos lugares que mais gostei de visitar
– Belgrado, Beirute e Tirana (só para citar 3
deles) – eram lugares que ninguém tem vontade de
ir. E aos quais eu nunca teria tido o prazer de
ir, se fosse seguir as sugestões e conselhos de
gente com gosto totalmente diferente do meu.
Ainda bem que eu fui aonde eu quis, e conheci
lugares mágicos para mim. ;-)
II - Viaje QUANDO VOCÊ de fato estiver com
vontade
(e não
no dia em que os outros ficam dizendo para você
viajar!)
Não deixe os outros ficarem te apressando, e
te fazendo ir para um lugar (mesmo que seja o
lugar que você quer) na hora errada.
Cada vez que tiro férias, um monte de gente
fica me dizendo "ainda não viajou?", "mas você
não vai viajar?", e coisas do tipo.
Se eu desse ouvido a este tipo de comentário,
não teria, por exemplo, feito uma viagem tão boa
ao Rio de Janeiro. Eu entrei de férias numa
segunda, e o tempo no Rio só foi começar a
melhorar na quarta-feira seguinte. Então, só
viajei na quinta, e consegui pegar 5 dias
bonitos de fato. Se eu fosse me deixar apressar
pelos outros, teria ido logo no começo das
férias e pego somente dias chuvosos. Eu tenho
ultimamente comprado as passagens das minhas
viagens com no máximo um dia de antecedência, e
graças a isso sempre pego dias lindos nos meus
destinos.
Então, antes de comprar uma passagem,
pergunte-se: estou comprando para onde EU quero
ir? Estou comprando para um dia que EU de fato
escolhi? Se a resposta para uma dessas perguntas
for um “não”, algo está errado...
III - Viaje COMO VOCÊ quiser (e não da
forma como os outros querem que você viaje)
Por exemplo, algumas pessoas preferem passar
muitos dias em cada lugar, visitando poucos
lugares. Já outras pessoas, como eu, preferem
passar poucos dias em cada lugar, visitando
muitos lugares. Não há uma fórmula única.
Quando as pessoas dizem que quem passa poucos
dias em cada lugar acaba não vendo nada de cada
lugar, eu logo penso: e quem passa muitos dias,
isso é garantia de ver muita coisa de fato? O
que eu vejo muito é os turistas “clássicos”
ficando muito pouco tempo em cada lugar que
visitam. É como se preocupassem muito em saber
que estiveram nos pontos turísticos clássicos, e
pouco se preocupassem em de fato curtí-los. Aqui
em Brasília mesmo eu reparo que a maioria das
pessoas que sobe na Torre de TV parece que sobe
para dizer que subiu e para tirar fotos para
mostrar aos outros. Poucos ficam mais tempo,
poucos parecem realmente relaxar um pouco e
curtir a vista...
É como num texto que li há muito tempo sobre
“viajar para você x viajar para os outros”:
muita gente volta cheia de fotos para, por assim
dizer, mostrar aos outros que estiveram onde era
esperado que elas tivessem.
Se você quiser ir à Austrália e não quiser ver
cangurus, é um direito seu... Se quiser ir a
Roma e não ver o Papa, é um direito seu... Não
se sinta obrigado a ir a um show de tango só
porque foi a Buenos Aires... E não deixe que
alguém que nunca sequer priorizou ir a Buenos
Aires (mesmo tendo condições) te crie uma
obrigação que você não tem, dizendo coisas como
“não deixe de ir a um show de tango!” (se antes
da viagem) ou “mas como é que você não foi lá?”
(se depois de você voltar).
Não deixe que os outros te obriguem a fazer
coisas no lugar deles, ainda mais se eles mesmos
não fazem! ;-)
Algumas dicas soltas (específicas para viagens ao exterior):
Dinheiro, câmbio e cartão de crédito:
- em alguns lugares, as casas de câmbio que
você encontra ao desembarcar são as que te dão a
pior taxa. Na dúvida, troque apenas uns 50 a 100
dólares, o suficiente para despesas iniciais, e
deixe para trocar o grosso do dinheiro quando
souber melhor onde há as melhores taxas... a
diferença pode chegar a 10%!
- já encontrei lugares em que o melhor era
NÃO trocar dólares ou euros, e sim sacar
diretamente nos caixas automáticos, usando
cartão de crédito. Em Bogotá, por exemplo, vi
que eu pagava menos sacando pesos direto no
caixa, e depois vindo a fatura em dólares no meu
cartão de crédito, do que se eu comprasse
dólares aqui e trocasse em casas de câmbio de lá
(mesmo que fosse nas que tinhas as melhores
taxas). Na dúvida, logo ao chegar, faça um saque
equivalente a uns 50 dólares numa ATM, e veja
depois, consultando on-line seu extrato de
cartão, quanto está a ser efetivamente debitado.
- antigamente se falava muito em levar
bastante Traveler-cheques e pouco dinheiro em
espécie. O que tenho visto é que é cada vez mais
difícil trocar traveler-cheques em alguns
países. Travelers podem ser uma boa em países
como EUA, onde você troca um traveler cheque de
100 dólares por 100 dólares de fato, e ainda tem
a vantagem da segurança. Mas em países como
Turquia eu penei para achar onde trocar meus
travelers, e quando consegui, ainda paguei uma
alta comissão.
- cartões de crédito: meus cartões volta e
meia eram recusados sem motivo... e depois
funcionavam na boa em outros lugares. Já tive
que pagar valores razoáveis de passagens aéreas
(que comprei durante a viagem) e de hotéis
usando dinheiro vivo, porque o cartão não
passava. Ou seja, por mais que seja arriscado
levar muito dinheiro em espécie, é algo menos
arriscado do que se ver sem dinheiro porque não
tem como trocar travelers e nem como usar
cartão...
Feriados e eventos:
- veja se você não irá pegar um feriado na
cidade, ou algum grande evento acontecendo justo
nos dias em que você estará lá. Você poderá
encontrar tudo lotado e mais caro, ou o
contrário, a cidade toda vazia e sem graça. Para
saber sobre isso, muitas vezes basta escrever ao
pessoal do site de turismo oficial da cidade que
você vai visitar.
Fuso Horário
- lembre que, quando há grande mudança de
fuso horário, nos primeiros 1 ou 2 dias podemos
ficar meio "chumbados".
Hotéis:
- eu prefiro sempre NÃO reservar hotéis com
antecedência. Afinal, isso me permite escolher
melhor o hotel, ver bem a localização, ver o
quarto, e muitas vezes conseguir melhor preço.
Em Istambul, por exemplo, a diferença de preços
era absurda. Se você reservasse pela Internet, o
preço era mais do dobro do que você conseguia se
perguntasse ao vivo no balcão do hotel. O preço
que te ofereciam no aeroporto de Istambul era
pior: o melhor que consegui foi 40 dólares num
hotel que era um pouco pior do que um que depois
consegui por apenas 15 dólares (sim, em Istambul
fiquei no hotel mais barato de minha vida, em
termos de preço x qualidade... 15 dólares por um
hotel que em outras cidades não sairia por menos
de 60 dólares...)
- faço exceção, contudo, quando vou chegar já
no final da tarde ou de noite. Neste caso
reservo um hotel apenas para a minha PRIMEIRA
noite. E de manhã verifico rapidamente se não há
algo bem melhor. Em Tel Aviv eu saí do meu
primeiro hotel, que nem vista tinha, para um
outro mais barato, com quarto mais gostoso, e
que tinha uma vista maravilhosa da cidade
inteira... e que ficava a apenas 2 quarteirões
do primeiro.
- também é bom fazer exceção em cidades que
costumam ficar com hotéis cheios, onde não
costuma haver descontos, e onde você já tenha
referência. Nova York ou Veneza, por exemplo.
- observei que diversos hotéis da Espanha e
da Itália, se forem simples, não necessariamente
têm ar condicionado ou sequer circulador de ar.
Cheque o quarto antes para não passar calor
depois, se você for numa época mais quente.
Temperatura e chuvas
- Pesquise como é o CLIMA no destino, na
época que você vai viajar. Assim você evita ir
em épocas em que chove o tempo todo ou em épocas
em que é muito quente... já vi que não curto
muito a viagem quando a temperatura passa dos
30º... imagine você chegando ao Cairo em dias em
que a temperatura está chegando a 38-39º... Eu
uso o site
www.weather.com e vejo a média climática das
cidades, vendo em que meses chove mais, e como é
a temperatura em cada mês. Imagine alguém que
não pesquise o clima de Brasília e venha
justamente no final de agosto (geralmente bem
seco e com névoa seca) ou bem no final de
dezembro (quando só chove). Não seria melhor
pesquisar o clima e tentar vir lá por abril ou
maio?
Segurança
- Alguns lugares te dão dicas legais sobre
segurança, e até sobre “golpes” mais comuns
contra os turistas. Eu sempre consulto a
Wikitravel, no
endereço
http://wikitravel.org/en/Main_Page (a versão
em inglês, que costuma ser mais completa) e as
informações sobre cada país na
página do Departamento de
Estado dos EUA.
Trem
- observei que, na Europa, o vagão mais caro
e mais luxuoso pode ser também o mais
barulhento, e não valer a pena. Foi o que
aconteceu, por exemplo, quando fui de Lisboa a
Madrid de trem. Peguei a passagem mais cara –
tinha até chuveiro no banheiro da minha cabine.
Mas o vagão era super barulhento e dormi super
mal. Durante a própria viagem, fui conhecer os
outros vagões e passei por um vagão bem menos
luxuoso, mas que era acusticamente
impressionante: tão silencioso que até pensei
que o trem havia parado. Tive que olhar a janela
para ver que o trem continuava correndo... o
vagão que era bem feito...
Táxi
- quando estiver indo para o aeroporto, pegue
o táxi sempre tendo dinheiro trocado (pois se
ele vir que você está com pressa, pode dizer no
final que não tem troco esperando que você, com
pressa, deixe o troco para lá.). Também é bom
ter alguma desculpa quando você está é chegando
numa nova cidade e ele te pergunta como você
voltará, querendo te “amarrar” a volta. Na
maioria das vezes, nos táxis que ficam junto ao
hotel, perguntando uma ou duas horas antes da
partida, você conseguirá preço melhor do que na
vinda.
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