Nas minhas últimas
conversas - pessoalmente ou por e-mail - com as minhas amigas, uma coisa eu
aprendi nos últimos meses: não posso dizer que eu não tenha esperança.
Eu agora acho que ainda tenho mais esperanças e mais sonhos que os
outros.
Na maioria dos aspectos, parece que não tenho muita esperança, eu sei. Mas
meu problema é na verdade excesso de conhecimento, e isso é algo bem
diferente.
Um exemplo: quem não tem o mínimo de noção de economia e da real situação
do Brasil pode ter "esperança" que em pouco tempo tudo irá
melhorar muito, e bem depressa. Se esta mesma pessoa estuda economia, e lê
mais sobre a real situação do país, ela passa a pensar diferente. Não
que ela se torne menos esperançosa. Ela apenas passa a ter mais
conhecimento. É diferente.
Naquilo que o conhecimento não interfere diretamente, eu tenho muita
esperança.
Metaforicamente, se sonhos e felicidade fossem dinheiro, é como se eu fosse
pobre. Mas ainda sonho em ser rico. Meus amigos são hoje classe média, mas
abriram mão do sonho que tinham, quando crianças, de serem ricos. Se
conformaram em ser classe média para sempre.
Eu sou o mais pobre, mas sou o que tem ainda alguma chance de ser rico, pois
sou o que ainda luta por isso. Mesmo que meus conhecimentos me mostrem que a
chance de eu ficar rico é muito pequena, eu não desisti, eu ainda
tenho esperança, ainda luto pelos meus sonhos mais profundos.
© Augusto C. B. Areal
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