Por que grupos de amigos(as) têm "prazo de validade"?obs: este texto ainda não está em sua versão final! Ainda faltam algumas coisas...Há alguns anos, quando eu falava dos problemas de um grupo de amigos - do qual eu participo - para o meu psicólogo, ele me disse: "Grupos têm prazo de validade". Eu pensei e vi que de fato era assim... Os grupos maiores acabam se dissolvendo com o tempo, restando, quando muito, alguns subgrupos bem menores... Porém, para variar, fiquei pensando sobre isso... "POR QUE grupos de amigos têm prazo de validade?" Eis os motivos que me ocorreram:
1) Porque muitas pessoas procuram, no fundo, um mundo “quase perfeito” (um mundo quase sem defeitos). Entram em um novo grupo e o veem, no começo, como um grupo quase perfeito cheio de pessoas quase perfeitas. Com o tempo, porém, vão percebendo os defeitos uns dos outros, e não aceitam isso. Partem de novo, na sua busca eterna por um mundo/grupo mais perfeito...
2) Porque algumas pessoas entram, no fundo, esperando ser finalmente reconhecidas como as pessoas maravilhosas e especiais, ainda sem o reconhecimento merecido, que elas acham que são. Quando veem que não foram (nem serão) tão reconhecidas quanto queriam (e ainda por cima, outras pessoas foram bem mais reconhecidas do que elas), perdem o interesse e saem. - o fator 2 é ainda piorado na medida em que algumas pessoas do grupo passam a ser quase idolatradas. Se existem pessoas “stardart” e “plus”, as pessoas que não ficam sendo consideradas “plus” acabam sendo, na prática, um pouco abaixo da média...Aliás, as pessoas competem por um recurso limitado – a atenção e a admiração dos demais participantes do grupo. O “princípio da escassez”, que existe na Economia, talvez exista também nos grupos, mas não em relação a bens econômicos, mas sim em relação a “bens afetivos / emocionais”. As pessoas valorizam mais as pessoas erradas, como na política. E o pior que é as pessoas avaliam mal e ao mesmo tempo querem ser bem avaliadas. É algo similar ao que se vê muitas vezes na questão da beleza: as pessoas valorizam a beleza física, mas querem ser avaliadas pela sua “beleza interior”.
3) Porque algumas pessoas entram, no fundo, com o objetivo fundamental de encontrar alguém interessante do sexo oposto. Quando encontram essa pessoa (seja dentro do grupo ou fora dele), ou então quando simplesmente percebem que não vão encontrar um namorado(a) dentro do grupo, se afastam. E assim temos já 3 motivos que, mesmo num grupo sem brigas, já causam a volatilidade de parte das pessoas que participam... ;-)
4) Grupos pequenos têm dificuldade de superar brigas entre namorados ou casais que são muito importantes no seu meio... Imagine: todos são amigos do casal das pessoas "a" e "b". Se o casal briga, fica aquela conhecida situação: não se convida "a" por causa de "b", e alguns que gostavam mais de "a" também não virão porque farão programas com "a". Ou se convida ambos, mas "a" deixa de ir porque sabe que "b" estará lá, o que dá quase no mesmo que a situação anterior... e por aí vai...
5) Porque muitas das pessoas mais cativantes e carismáticas são pessoas com problemas emocionais mais sérios, e/ou pessoas bastante instáveis (excesso de características bipolares, etc.). Estas pessoas costumam conquistar bastante a metade do grupo que tratam melhor, sendo que a outra metade das pessoas do grupo geralmente as detestam. Ao longo do tempo, este tipo de pessoa irá causando brigas sérias entre elas e também com alguns outros membros do grupo. Ou a pessoa poderá simplesmente se cansar de uma hora para outra do grupo. Além disso, em grupos, muitas vezes as pessoas mais populares: - ao verem injustiças, fecham os olhos, pois precisam ficar de bem com todo mundo (neste aspecto, é interessante o paradoxo: as pessoas valorizam mais as pessoas que não brigam; mas quando são elas mesmas as injustiçadas, ficam decepcionadas ao ver que ninguém briga por elas); - são, portanto, pouco preocupadas com os outros (exceto aqueles bem próximos a elas). Não por acaso, raramente são daquele tipo que evita parar em fila dupla ou em locais proibidos, justamente porque são mais egoístas e menos comprometidos com certo e errado. - não raro, adoram usar o recurso de copiar e colar textos alheios (como aqueles do Jabor elogiando as mulheres) porque é uma forma de "escrever" sem colocarem suas próprias opiniões. Escrever suas próprias opiniões inevitavelmente desagrada a uma parcela do público...
6) Porque as invejas e as fofocas, que sempre surgem, têm efeito cumulativo e vão minando progressivamente a confiança das pessoas e admiração que têm entre si.
7) Grupos maiores necessitam de algumas "pessoas-chave" para existir - aquelas que são as aglutinadoras, e/ou as organizadoras, e/ou as que atraem a participação de pessoas do sexo oposto, etc. Com o tempo, em um grupo vão entrando novas "pessoas-chave", e saindo outras "pessoas-chave", pelos motivos naturais mais diversos (casamento, filhos, mudança de cidade, brigas, etc.). Quando coincide de saírem muito mais "pessoas-chave" do que aparecem novas (o que acaba acontecendo, estatisticamente, mais cedo ou mais tarde) o grupo tende a implodir (pelo menos o grupo maior), restando grupos menores no lugar. - o fator 7 pode ser observado no meu grupo de Orkut, que já teve bem mais pessoas-chave simultâneas do que tem hoje. As últimas "pessoa-chave" entraram ainda em 2005. Praticamente não houve o surgimento de novas "pessoas-chave" nos anos seguintes, apesar da entrada de dezenas de pessoas novas neste período...
8) No fundo, ninguém está aí para os grupos, como ninguém está aí para o próprio Planeta onde vive... falta uma visão de futuro.
9) Porque mesmo que algumas poucas pessoas consigam ver problema em cada momento, a maioria das pessoas que está no grupo acha que está tudo bem. Quem acha que não está bem é sempre uma voz dissonante. Isso ocorre mesmo que a quantidade de insatisfeitos que já saiu do grupo seja muito maior que a quantidade de satisfeitos que ainda está participando. Aliás, alguns grupos dependem da entrada contínua de pessoas (e portanto, dependem também da saída contínua de pessoas, já que há uma limitação numérica). Ou seja, é um modelo contraditório em si – para o grupo estar bem para a maioria dos que estão nele, é preciso o grupo estar mal o bastante para que alguns saiam e assim outros possam entrar.
10) Porque o ser humano é complicado mesmo... 10.1 As pessoas se cansam de tudo - dos lugares de costuma frequentar, dos seus carros, das suas roupas, das músicas que ouvem, etc. – e os grupos não seriam exceção.. 10.2 Se encontrar amigos de verdade já é difícil, imagine fazer um grupo de várias pessoas que sejam de fato amigas entre elas... 10.3 Em grupos maiores, as pessoas geralmente não podem expor de fato suas opiniões sobre muitos temas, enfim, não podem ser elas mesmas. 10.4 As pessoas não querem brigas nos grupos, embora elas briguem com seus namorados, com sua família, etc... E sem a possibilidade de brigas paga-se um preço...
Outros comentários: · Mesmo grupos que parecem durar bastante não são, muitas vezes, o mesmo grupo de fato ao longo do tempo. Mantém apenas algumas pessoas básicas... é como uma banda musical. Uma hora troca-se o guitarrista, mas o nome da banda permanece; outra hora toca-se o baterista; outra hora o vocalista... até que chega um momento em que há somente um membro da banda original. Pode-se dizer que a banda original ainda existe de fato? Acho que não... · Uma das poucas vezes em que vi um grupo se manter por muitos anos, com basicamente as mesmas pessoas, foi um grupo de amigos - do qual não faço parte - que se formou na época da universidade deles. Ele se formou aos poucos, e nele as pessoas tinham de fato coisas em comum - idade, interesses, escalas de valores, e até gosto musical básico - terminando por gerar um grupo de amigos aparentemente verdadeiro e consistente.
|
Voltar à página inicial |