Tempo de Despertar
Este texto tem a ver com o filme "Tempo de Despertar", com Robin Williams e Robert De Niro. Se você ainda não assistiu ao filme, recomendo fazê-lo... é muito interessante! E sem ter assistido ao filme, você provavelmente não entenderá tão bem o que escrevo a seguir... Um breve resumo da história: Robin Williams interpreta um médico que vai trabalhar num hospital onde diversos pacientes estão completamente catatônicos, vítimas de uma epidemia de encefalite ocorrida muitos anos antes. Ele resolve testar nos pacientes um medicamento ainda experimental, a L-Dopa, e consegue resultados surpreendentes. O primeiro paciente tratado, interpretado por Robert De Niro, começa a ter uma melhora dramática, e começa a despertar para a vida... Porém, com o tempo, efeitos colaterais vão surgindo, e no final o personagem de Robert De Niro acaba voltando a ficar catatônico... E agora vamos ao meu texto...Certa vez, lá estava eu em uma festa de aniversário. E observei uma jovem, e me lembrei de como ela era, 2 anos atrás, uma participante ativa de um grande grupo social... Ela havia sido até fundadora de uma comunidade, que também promovia encontros de seus membros... Porém, ali estava ela, de novo longe de grupos maiores, de novo como estava muito tempo atrás, de novo como estava antes de fazer parte de um grupo e de ser membra fundadora de outro... E fiz uma associação com o filme: Ela, e talvez 80 a 90% das pessoas com quem convivemos, são como o Robert De Niro no filme... Na infância, são muito sociais com as outras crianças, e são cheias de sonhos... Alegres... abertas de verdade aos outros... Mas aí, a vida, o passar dos anos, as deixam progressivamente "catatônicas" socialmente... Às vezes tão lentamente que nem percebem... Um dia, elas entram em algum novo grupo social... que pode ser algo tão diferente quanto um novo grupo dos colegas da universidade, ou um grupo da igreja, ou um grupo de um site de relacionamentos como o orkut... E tal como acontece no filme, quando os pacientes começam a tomar o medicamento, elas entram no seu "tempo de despertar"! E novamente têm mais amigos, novamente se soltam mais, riem mais, saem mais, conversam mais... Mas isso dura pouco... Começam a "reverter" ao que eram depois de algum tempo... (*) E terminam novamente “catatônicos”, como no filme... (*) isto ocorre também pelos motivos que listo no meu texto sobre grupos de amigos.
Vi este “filme” acontecer muitas vezes com meus colegas dos grupos dos quais participei... E continuo a ver o “filme” acontecer a toda hora com o pessoal de um grupo grande do qual participo atualmente... e no qual sempre entram e saem pessoas... Eu mesmo, volta e meia, me pego quase deixando que os problemas que sempre enfrentamos ao lidar com grupos maiores de pessoas façam eu me “fechar” novamente. Mas felizmente me dou conta, o que me ajuda a resistir. É tão bom poder mudar o “final do filme”, pelo menos de vez em quando... ;-D
E você??? Quantas vezes entrou em um “tempo de despertar”? Quantas vezes voltou a ficar “catatônico(a)” depois? Pense: qual destas fases da tua vida social você está a viver hoje?
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