Minha viagem a Bahía Blanca, Mar del Plata, Buenos Aires e Montevideo - novembro de 2006

(viajei 21/11/06 e voltei em 30/11/06)

22/11/2006

Estou em Bahía Blanca, uma cidade argentina de uns 300.000 habitantes, que fica a uns 600 km de Buenos Aires, mais para o sul.

Minha viagem começou com um recorde de "em cima da hora": comprei a passagem apenas 1h20min antes do vôo. Já tinha comprado mais em cima da hora do que isso, mas não num vôo internacional... E desta vez, com o tanto de atrasos, comprar em cima da hora era o melhor que eu fazia...

E não é que o vôo saiu exatamente na hora? E fez a escala em Porto Alegre na hora também. Cheguei a Buenos Aires com uma pontualidade britânica.

Aí "empaquei" no aeroporto... não conseguia me decidir se vinha logo para cá ou se ficava primeiro em Buenos Aires, nem se vinha de ônibus ou de avião. Resolvi pegar um avião, e cheguei aqui lá pelas 8 da noite... Bom, eu cheguei, mas a minha BAGAGEM não! O @#&%# do pessoal das Aerolineas "esqueceu" minha mochilona em Buenos Aires! Em todas as minhas viagens, foi a segunda vez que fizeram besteira com minha bagagem... Bom, logo me disseram que haviam localizado minha bagagem em Bue e me mandariam de manha. Nem me estressei muito. Achava que ela ia chegar mesmo, e nunca coloco coisas muito importantes na bagagem despachada... Apos bastante enrolação, às 10h da manha minha mochila finalmente chegou...

A viagem em si:

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o bairro que sobrevoamos logo antes de pousar em Buenos Aires. Era um bairro pobre, de casas muito pequenas, mas... era cheio de árvores! Apesar de pobre, parecia um lugar agradável de se morar! Que diferença das cidades brasileiras, sempre totalmente "devastadas" do ponto de vista de ter ou não árvores... Saí do aeroporto de Ezeiza para ir para o Aeroparque (o equivalente a ir de Guarulhos para Congonhas) e fui vendo como Buenos Aires, apesar de ser sempre associada com uns poucos lugares e imagens (Obelisco, tango, etc) é uma cidade de mil mundos e mil universos como o meu Rio de Janeiro... Passei por alguns subúrbios com edifícios altos e feios, que pareciam de algumas cidades da Europa oriental que visitei; depois a arquitetura mudava completamente, e depois mudava de novo, e me fazia pensar em como seria ter nascido e crescido naquela cidade, cada lugar tendo um "sabor" diferente, como os bairros do meu Rio de Janeiro sempre tiveram para mim um "sabor" único e diferente um do outro... Vi um bairro particularmente interessante, perguntei o nome para o motorista, e era o bairro de "Flores"... e daqui a uns dias, quando voltar a Bue, vou tentar passear por lá... 

Passo rápido pelo centro de Buenos Aires, e vejo que aparentemente as coisas não mudaram muito desde que estive lá pela última vez, em 1996... quem mais mudou foram os modelos de carros, que agora estão muito mais parecidos com os brasileiros... Mas Buenos Aires só verei mesmo neste final de semana. Afinal, logo peguei o avião para Bahía Blanca... E aqui cheguei quando estava anoitecendo.

Vim aqui por causa da minha eterna fascinação por cidades cheias de prédios altos, como Rio, Johannesburg, Beirute... Bom, Bahía Blanca é bem menor, então talvez fosse melhor compará-la com Petrópolis ou Santos, cidades que nem têm tanta população mas são proporcionalmente cheias de prédios. Só que aqui os prédios são espaçados entre si, são até muitos, mas são só alguns por quarteirão. Bahía Blanca já era cheia de prédios no final dos anos 70, quando estive aqui (ainda criança, viajando com meus pais de carro, eu tinha 10 anos...), e, pela arquitetura, não mudou muito nos últimos 30 anos. Comparada com cidades brasileiras, diria que não mudou quase nada. Uma das coisas mais interessantes de se passear por aqui é justamente aquela sensação de "maquina do tempo", de eu estar novamente caminhando por uma cidade dos anos 70, como aquelas as quais conheci na minha infância. Ao invés de apenas ver fotos e postais nos anos 70, eu sinto que estou MESMO nos anos 70!

E o que me chama a atenção? - não sei se é pela época do ano (aqui está quente, uns 28 a 30 graus), mas o pessoal se veste normal, não são todos sempre "chiques" como os habitantes de Buenos Aires e de Montevidéu... - estou impressionado com a feiúra das mulheres! Só tem mulheres feias (de rosto e de corpo) por aqui... jamais havia visto, em qualquer cidade onde as mulheres descendessem de espanhóis e/ou italianos, tão pouca beleza! As mais velhas são feias, as mais novas também, as adolescentes também (e antes que me perguntem, os homens também!). - para variar, me chama a atenção sempre aqueles quiosques e lojinhas cheios de chocolates e doces e balas em embalagens lindas, e todas as variedades cuidadosamente organizadas e arrumadas... Dá gosto de olhar. Por que será que no Brasil nunca fazem parecido? Bom, belezas à parte, na hora de comer é sempre uma decepção... ainda não achei nada que valesse a pena comprar de novo... - estive em vários supermercados, e pelo menos aqui não achei mais aquela variedade enorme de produtos que me fascinou nos supermercados argentinos em 1996. São supermercados bem parecidos com os brasileiros. A parte das frutas e verduras não tem praticamente nada de muito diferente... Comprei já algumas coisas diferentes, para variar, (Tang sabor pomelo rosado, gelatina de banana, xarope de cola...) mas nada tão "tchan" assim. Comi um danoninho (da Danone mesmo) sabor baunilha que è uma droga... vamos ver se o danoninho "multi-frutas" que comerei mais tarde será melhor... - e os refrigerantes? Cadê as Fanta pomelo, Fanta abacaxi, e outros refrigerantes que me fascinavam nas vezes em que estive na Argentina, ainda criança ou já adulto? No máximo, achei alguns refrigerantes de pomelo rosado. Os de pomelo amarelo que havia outrora já eram. Pelo visto, os argentinos devem ter também um monte de coisas para sentir saudades se fizerem uma versão sua do "Almanaque dos anos 80". Bom, pelo menos a Crush continua por aqui...

E a cidade de Bahía Blanca? Apesar de pequena, vários mundos com certeza... Em algumas partes, uma típica cidade argentina de tamanho médio, com ar de anos 70... em outras partes, parece o centro comercial de uma cidade caribenha ou centro-americana, em outras, vejo quadras arborizadas de casas que parecem de uma pacata cidade norte-americana, em outras ainda, quase uma cidade brasileira pequena nos anos 60 ou 70... e uma quantidade interessante de "carros nostalgia"...

Bom, caminhei das 9 até as 16h, aproveitando o dia bonito... ao caminhar, faço alguns "takes" com a filmadora... mas há muito aprendi, vendo as filmagens de outras viagens, que a maioria das coisas é "grande" demais para caber numa lente de filmadora... para captar a essência de uma cidade, é preciso estar nela, voltar a ela, não adianta só filmar ou fotografar...

Após tanto caminhar, é necessário sentar e descansar... é nestas horas que páro e escrevo, afinal, mesmo que não escrevesse, não teria como andar mais...

Mais tarde, lá pelas 22h, pegarei minhas coisas no hotel, e pegarei o ônibus para o meu próximo destino... São 7 horas de viagem... ou pegava 17:30 e chegava lá 00:30, ou pegava depois de 22:30 e chagava lá cedinho... ir de avião pagando os olhos da cara para depois perderem minha bagagem de novo? Não, obrigado. Se eu não dormir "por bem" na viagem de 7h, um simples comprimidinho (trouxe alguns para justamente esses casos) resolverá tudo numa boa... Trens? Nem pensar, disse o pessoal da informação turística de Buenos Aires. E, de fato, deu dó passar na estação de trem daqui de Bahía Blanca. O primeiro trem chegou aqui em 1884, mais de 120 anos atrás! E hoje, tudo abandonado...

Estava eu filmando a estação quando um senhor argentino passou e comentou... que quando ele era jovem, via trens chegando a toda hora... e hoje... tudo acabou... Aproveitei a presença do comunicativo senhor e o fiz me filmar em frente à estação... uma rara filmagem em que eu mesmo apareço.... vai que daqui a 100 anos sou famoso e começam a surgir "teorias" que dizem que eu quase nunca ia de verdade às cidades que ele dizia visitar... eh eh eh...

Bom, por enquanto fico por aqui!

24/11/2006

Terça à noite (quase meia noite para ser exato) fui ao decadente terminal rodoviário de Bahía Blanca pegar o ônibus para vir para cá. É interessante: um monte de ônibus bem bonitos, a maioria de 2 andares, num terminal tão "derrubadinho" que uma cidade brasileira de tamanho comparável, como Uberaba, teria vergonha de ter igual...

Já que os ônibus tinham 2 andares, resolvi experimentar a sensação de viajar no segundo andar de um ônibus intermunicipal. O ônibus era bonito, e era leito, mas a suspensão... parecia que dava para ler braile no asfalto, de tanto que trepidava! E quando o ônibus passava em ruas arborizadas, no começo da viagem, os galhos das arvores batiam no teto a toda hora, fazendo uma barulheira enorme. Curioso que os argentinos dormiam na boa e nem se mexiam, como se não houvesse trepidação alguma nem barulho algum. Comigo, o jeito foi usar meu comprimido para dormir... tomei quando vi que não dava mesmo, e funcionou bem, tanto que logo depois eu já estava chegando, de manha cedo, no terminal de Mar de Plata.

Mar del Plata é uma cidade totalmente diferente de Bahía Blanca. Tão diferente quanto Curitiba ou Goiânia são cidades diferentes de uma Manaus, por exemplo. Bahía Blanca tem ar de cidade parada no tempo, de cidade dos anos 70... Mar del Plata está mil vezes melhor, com cara de cidade bem tratada de final dos anos 80 ou começo dos anos 90. É uma cidade de prédios mil vezes mais bonitos, em termos de arquitetura, e bem mais cuidados.

De forma geral: - chama a atenção o quanto os argentinos são DECADENTES em alguns aspectos, tais como: carros (muito mais velhos e mal cuidados, na média, do que os nossos), cafés internet (sempre velhos, com monitores antigos e desfocados, parece até que todos os equipamentos daqui vêm do Brasil depois que os cafés internet brasileiros acham que não dá mais para usar)... - por outro lado, chama a atenção a AUSENCIA TOTAL DE MISÉRIA, ou pelo menos de miséria visível! Andei pacas por Bahía Blanca e por Mar del Plata, e não vi miseráveis, vi no máximo uns 5 pedintes, quase não há camelôs, não há idosos abandonados, e não há crianças de rua. Ou seja, uma cidade brasileira parece muito mais rica que aqui, mas parece ao mesmo tempo muito, mas muito mais pobre...

- nas ruas e na praia de Mar del Plata chama a atenção a grande quantidade de idosos. Acho interessante como os idosos daqui são bem parecidos entre si... parece haver apenas uns poucos tipos de rosto básicos. - as argentinas de Mar del Plata não chegam a ser bonitas, mas são bem melhores que as de Bahía Blanca. Bahía Blanca fica para mim, portanto, como séria candidata a cidade com menos gente bonita que jamais vi. - as argentinas são muito mais "largadas" que as brasileiras, em termos de físico e de corpo. E as roupas que usam ainda pioram a situação. Nada de roupas sensuais... até mesmo as roupas esportivas, das que estão fazendo caminhada ou corrida, são folgadas e nada chamativas. Não usam roupas colantes ou mais justas....

- confirmado: os chocolates, balas e doces têm embalagens lindas, são vendidos em quiosques arrumadinhos, mas aqui não tem nada que valha a pena repetir! Já entro agora nos quiosques sem muita empolgação de experimentar guloseimas novas... muita cor mas pouco sabor...

- a praia principal daqui, aquela clássica em frente aos Cassinos, é bem ruinzinha. Areia escura (que para mim parece suja e estranha), água suja (cheia de algas e uns "kiwis transparentes" esquisitos na linha de quebra da água), e quase só idosos... suponho que o pessoal jovem freqüente outras praias, ou vá mais para outras cidades balneário daqui... - a vista que se tem a partir da areia, por outro lado, é linda. Vendo-se as fotos que tirei, com o mar e os prédios em destaque, e mal se vendo a sujeira e o pessoal, parece que estou num lugar totalmente lindo e maravilhoso. - é com certeza uma cidade muitíssimo fotogênica!

- em matéria de tempo, eu não poderia querer mais: de 1 a 10, peguei tempo 10 aqui. Não por pegar só céu azul, mas por pegar tudo, poder ver a cidade de tudo que é jeito, o que é muito mais interessante! Cheguei com tempo nublado, parecendo que ia chover, depois choveu mesmo, depois fez mormaço, depois saiu sol com nuvens, no final do dia fechou de novo mas acabou fazendo aquele raro e maravilhoso anoitecer de céu róseo e cores intensas em tudo... Hoje de manhã fez um sol com céu limpo fotográfico, depois de tarde fechou de novo... enfim, estou vendo Mar del Plata de tudo que é jeito.

- além do tempo de tudo que é jeito, a cidade também é de tudo que é jeito... Mar del Plata é muitas cidades em uma só: - tem a parte clássica, perto do cassino, que aparece em todas as fotos e postais clássicos: prédios que já estavam aqui 30 anos atrás, mas que são tão bonitinhos, coloridos (sem exageros) e bem cuidados que se poderia supor serem novos... é uma parte quase só de prédios, prédios colados entre si, uma "Copacabana" mais tranqüila e mais bonita... - tem uma parte de casas chiques, calma e "bucólica", pertinho da "Copacabana"... - tem uma parte com um certo ar de "subúrbio movimentado de cidade grande", com ruas largas, mas poucos prédios altos, comércio mais semelhante ao do centro de cidades brasileiras... - e tem a parte da qual mais gostei, que me parece uma curiosa mistura de ruas de Buenos Aires com ruas de bairros da zona sul do Rio de Janeiro... vários quarteirões formando uma das regiões que, para um apreciador de bairros estilo Flamengo-Copacabana-Ipanema-Tijuca como eu, é um dos bairros mais agradáveis que já vi na vida. Se eu fosse montar uma cidade perfeita com pedaços de cidades que já visitei, esta parte entraria com certeza. É como se eu estivesse num bairro de zona sul de um Rio de Janeiro de mundo paralelo, um bairro que nunca visitei, e onde posso andar tranqüilo sem nenhum medo de violência... Não é a toa que escolhi um hotel bem no meio dela... E por falar em hotel, poucas vezes na vida vi uma cidade com cara de "cidade de verdade" com tanto hotel, em tudo que é lugar...

Bom, hora de parar de escrever e decidir o que vou fazer a seguir!

Até!

28/11/2006

Sábado à noite, duas horas da manha... lá estou eu no terceiro piso de uma grande boate em Buenos Aires, olhando a vista que tenho de lá... Estou vendo um cemitério, um dos cemitérios mais "cemitéricos" que jamais vi - cheios daqueles túmulos e mausoléus enormes e altos, com anjos e pequenas cúpulas no topo - e ainda por cima uma cemitério iluminado, no lado de dentro, com luz amarela de luminárias que parecem saídas daqueles filmes de "Londres no séc XIX"... E ainda vejo que algumas sombras que vejo dentro do cemitério mudam de posição com o ritmo do vento... Uma cena que com certeza me assustaria, se eu não estivesse numa boate cheia de gente atrás de mim, num dos points principais da vida noturna de Buenos Aires - que fica ao redor dos muros do cemitério da Recoleta...

Bom, resolvi começar este e-mail de forma diferente, estilo de filmes de cinema como o ultimo "Missão Impossível", no qual o filme começa com uma das cenas quase do final do filme, e ao longo do filme é que vc vai entendendo como se chegou até lá... Afinal, só e-mails do tipo "estou em tal lugar" cansa... ;-)

Vamos lá... - Sábado às 13:25 saí de Mar del Plata num daqueles ônibus de 2 andares deles... viajei sozinho na primeira fileira do segundo andar... uma vista completa e total para a frente e para o lado, sem motorista ou absolutamente nada na frente... se fosse uma viagem panorâmica eu estava feito, pena que uma viagem ali naquela região é sem muita graça - tudo plano, quase a mesma paisagem o tempo todo... Mas de qualquer forma era um dia bonito e uma paisagem relaxante... - só depois fui me tocar no por que de não poder haver estes belos e econômicos ônibus de 2 andares no Brasil: deve ser por causa dos túneis. Na Argentina a maioria das viagens importantes é sem túneis, e sem montanhas... já no Brasil, ônibus de dois andares fazendo São Paulo - Santos ou Rio - Brasília ia ser beeeeeem complicado!

- ao chegar em Buenos Aires, a primeira coisa que me chamou a atenção foram os prédios residenciais mais esquisitos que vi em toda minha vida, ainda nos subúrbios. Eram prédios aparentemente de classe media baixa, em puro concreto aparente, com uma arquitetura estranhíssima que parecia vir do filme Metropolis ou, melhor ainda, da bizarra Gotham City, a cidade de estranhos prédios que é o lar do Batman...

- mais adiante, ao chegar no terminal de ônibus de Buenos Aires, juntinho do terminal, uma favela clássica, bem parecida com aquelas que se vê no Rio quando se entra pela Avenida Brasil ou quando estamos indo para o aeroporto do Galeão... construções de alvenaria de 2 e 3 andares...

Instalo-me em Buenos Aires, e vou passear pela cidade, observando... - parece-me que a cidade não tem mais a mesma vida, à noite, que tinha quando estive em 1993 e 1996. Não posso ter certeza, não tenho a memória tão boa, mas diria que sim, que o movimento nas ruas caiu, e que as pessoas já não se vestem tão arrumadas como outrora (uma das coisas que mais me chamou a atenção no passado era como os argentinos se vestiam sempre bem... e hoje não vejo mais isso). Se eu visse Bue pela primeira vez em 2006 acharia que estava tudo bem, mas comparando com o passado, me dá uma idéia de decadência...

- outra coisa que dava um charme, e mudou, foi o modelo dos ônibus. Antes estava cheio de ônibus de tamanho menor, com uma só porta, daqueles que o motor, na frente, fica para fora, que nem em ônibus antigos lá por volta de 1930. Hoje os ônibus são de tipo comum, e bem sem graça, feios na pintura... curioso como cuidam tanto dos ônibus intermunicipais (alguns com pinturas maravilhosas, de cidades, paisagens, etc - até fotografei um) e tão pouco dos ônibus urbanos...

- encontro casualmente um lindo lugar de bares, cafés e livrarias, estilo galeria semi aberta, chamado "Paseo La Plaza". É nestas horas, com estes lugares tão interessantes, que realmente me dá dó estar viajando sozinho, sem ninguém para sentar lá junto e tomar alguma coisa...

- entro num shopping center bem chique, e vejo que, apesar de haver um monte de lojas na praça de alimentação, nenhuma é self service, em nenhuma vc pode de fato se servir vc mesmo!

- à noite vou a pé tentar ver alguma boate interessante... no ponto de informações turísticas me deram uma lista de boates... como na Recoleta tem várias, me dirijo para lá... passo por lugares bem interessantes, locais de vida noturna bonitos como, creio, não encontraria em SP (encontraria locais mais isolados, mas não assim tão em serie)... passo por um shopping cheio de cinemas, com enormes cartazes de filmes pendurados no enorme vão central...finalmente, um cinema parecido com os cinemas de alguns sonhos que já tive...

- já ao redor dos muros do cemitério da Recoleta, mais locais de vida noturna, vivos e muitíssimo interessantes... um deles, um bar daquele estilo meio irlandês, iluminado só com luz de velas de verdade (e umas poucas luminárias elétricas formato velas... mas a maioria era de velas de verdade). Um local escuro, misterioso... sabe daqueles bares de filmes de terror, onde vc entra e está cheio de criaturas noturnas e locais subterrâneos com coisas inimagináveis? Pois é, se existem, esse era um deles...

- vou contornado os muros do cemitério e no final, acho a boate do começo da historia, a Sahara Continent, feita para parecer uma enorme caverna de três pisos, um prédio da altura de um edifício de 5 andares, com 3 ambientes distintos. Pena que algumas coisas não mudam: 3 ambientes, mas nenhuma música de fato "musical" em nenhum dos 3. Um tocava algum tipo de musica eletrônica repetitiva, outro não lembro, e piso do chão, o que estava realmente cheio e animado, tocava algum ritmo latino que não conheço. - não sei de onde eu havia ficado com a idéia de argentinas serem bonitas! Na boate reparei bem, não havia praticamente as "muito feias", mas também não havia muito bonitas. Havia as "feias", as simplesmente "sem sal" e as "bonitinhas"... Pelo que conheço do gosto das minhas amigas, os rapazes também não chamariam a atenção... se eu fosse definir a todos, homens e mulheres, eu os definiria como branquelos demais e com traços pouco definidos demais. Que saudades das espanholas de Madrid, das libanesas, das croatas...

Bom, chega de Buenos Aires... mesmo porque não agüento escrever tanto de uma vez...

Um último ponto: Após tantas viagens por tantas cidades, finalmente consegui me aproximar muito de uma cidade dos meus sonhos (literalmente dos meus sonhos, pois vivo sonhando, quando durmo, com versões imaginárias e maravilhosas do Rio de Janeiro, de Nova Iorque, de Johannesburg, etc) A cidade quase dos meus sonhos é... uma certa parte de Mar del Plata, a parte na qual me hospedei... Sábado de manhã, antes de ir para Bueno Aires, estava uma manhã perfeita, com aquelas cores perfeitas que talvez nunca se repitam igual... e lá estava eu caminhando por uma cidade de sonhos, com cores de sonho, sabendo que infelizmente máquina fotográfica ou filmadora nunca captariam aquilo bem (quando a luminosidade é muito desigual, áreas de sol e áreas de sombra, não adianta, a tecnologia ainda não igualou à vista humana)... Talvez Mar del Plata pudesse ter mais gente jovem, mais gente bonita, mais gente sorridente... Mas as ruas e os prédios eram insuperáveis... eu me senti caminhando por um bairro ainda desconhecido de um Rio de Janeiro de um mundo paralelo, um Rio de Janeiro sem violência ou assaltos, onde eu podia andar tranqüilo o tempo todo, fotografar ou filmar o que eu quisesse... um bairro com belas árvores verdes numa bela manhã de sol e céu azul!

28/11/2006

Estou em Montevideo.

Bom, se as 3 pessoas que conheço que estiveram em Montevideo recentemente acharam a cidade "derrubada", eu não poderia mesmo esperar muito... está, de fato, derrubada! ;-)

E pensar que Montevideo foi a primeira cidade estrangeira que visitei já adulto... no final de 1990, 16 anos atrás, eu cheguei aqui... lembro de como a 18 de Julho ficava mesmo de noite cheia de pessoas caminhando pelas lojas e galerias, lembro de como as lojas me pareciam maravilhosamente cheia de produtos exóticos e diferentes (em 1990 os importados ainda estavam por aparecer nas lojas brasileiras, lembram?). Hoje a 18 de julho fica praticamente deserta à noite; as galerias ficam fechadas com grades, e portanto ninguém mais caminha por elas... um ar de decadência intensa... tsc tsc...

Bom, mas vejamos o lado positivo: - continuo pegando dias lindos de céu azul fotográfico... só em Bue que peguei tempo mais ou menos... duro vai ser me acostumar com a chuva continua de Brasília quando eu voltar...

- finalmente encontrei um supermercado bonito e cheio de produtos variados nesta viagem! Foi o "Disco" do shopping de Carrasco... comprei mais um doce de fruta esquisita local para minha coleção - já são três frutas esquisitas (não devem implicar na hora de eu entrar, pois é doce industrializado). E ainda havia mais um doce de uma fruta que nem o pessoal da frutaria do supermercado conhecia o nome... aí uma senhora me disse que aquele nome era apenas um nome diferente para o conhecido "durazno"... da mesma forma que descobrir a tempo que "arándanos" são blueberries... Os doces diferentes que estou trazendo são, espero eu, diferentes de verdade...

- observando bem, a arquitetura de Montevideo, embora bem diferente da brasileira, ainda se parece mais com a de uma cidade brasileira do que com uma cidade argentina como Mar del Plata ou Buenos Aires...

- as mulheres de Montevideo são definitivamente diferentes das insossas de Buenos Aires. Aqui o pessoal é fisicamente bem mais variado, os traços do rosto tendem a ser mais definidos, e a forma de se vestir mais interessante...

- continuo sendo uma pessoa à qual o pessoal gosta de pedir informações sobre onde fica tal rua ou tal lugar. Bom sinal, significa que sempre pareço um habitante local e não um turista... na minha viagem de 2004, por exemplo, me pediram informações 2 vezes em 2 dias na capital da Bulgária, e mais 2 vezes em 2 dias na capital da Romênia... aqui já foram 2 vezes em Mar del Plata e 2 vezes em um só dia de Montevideo... pior que numa das vezes de Mar del Plata eu sabia a rua e soube responder.

- passeei pela praia de Pocitos, e tentei tirar uma foto exatamente do mesmo local e angulo que meu pai fez quando da nossa viagem em começo de 1977, há quase 30 anos... Impressionante que ate os postes de iluminação (e as luminárias também!) continuam os mesmos, no mesmo local exato... e não são luminárias antigas não, são modelos típicos dos anos 70... Em 1977 ninguém imaginaria que aquele local e aqueles prédios estariam tão parecidos no então longínquo e "futurístico" mundo de 2006...

- consegui encontrar chocolates bons finalmente! É que aqui vendem bombons Garoto avulsos, e baratos (saem por 30 centavos cada). ;-) Pude comprar só dos 3 sabores que gosto mais... sem precisar comprar a caixa inteira. A propósito: a Garoto também faz uma caixa menor, de só 200 gramas, para vender aqui e em outros paises no exterior... e nós brasileiros bobos é que temos que comprar 400 gramas de cada vez...

- dormi numa das camas mais confortáveis de toda minha vida! Não é a toa que tive sonhos maravilhosos... dessa vez, ao invés de ficar só lembrando de como o colchão do hotel tal era gostoso, eu tirei o forro e bati foto da etiqueta, para tentar encontrar um modelo parecido depois... Pena que o colchão é feito no Chile... vai ser difícil achar...

Bom, hora de voltar pro hotel e dormir, aproveitando a cama maravilhosa... a propósito, ficar num hotel 4 estrelas (comparável mesmo com os 4 estrelas de Brasília) com uma diária de apenas 30 dólares (uns 65 reais) não é em toda viagem que consigo! Falaram que Buenos Aires estaria barata... não achei... aqui sim as coisas estão baratas! E agora, hora de zzzzzzzzzzzzzzzzz.....!


01/12/2007

Após passar a manhã de quinta rodando por uma Buenos Aires ensolarada, peguei o vôo da TAM e cheguei a Brasília pouco antes do pôr do sol.

No final das contas, apesar dos atrasos que estavam tendo nos aeroportos até o dia em que saí inclusive, minhas 4 decolagens pela TAM (2 na ida e 2 na volta, incluindo a escala em Porto Alegre) foram rigorosamente no horário. E como era vôo internacional, no trecho POA-BUE e depois no BUE-POA tive uma boa refeição completa, como nos velhos tempos, e não só sanduíche...

A viagem de volta teve um brinde extra: ao invés de o avião fazer o pouso no trajeto que eu estou acostumado, sobrevoando já a baixa altura a região de Taguatinga, Águas Claras, Candangolândia, etc, o avião fez uma grande volta por sobre o DF, me fazendo ver o DF literalmente por um novo ângulo, e de um altitude muito maior do que eu conseguiria num vôo panorâmico de helicóptero ou de ultraleve.

Vi Taguatinga, Samambaia e Ceilândia inteiras de uma vez só. Deu para ver como Taguá Norte é contínua com Ceilândia, sem separação clara, mas ainda há separação mais ou menos nítida entre Taguá e Samambaia. Vi como Vicente Pires é muito, muito maior e muito mais densa do que parece quando a vemos do nível do chão... Vi que, apesar de parecer que hoje em dia todas as áreas do DF têm condomínios, não é bem assim: há enormes áreas, longe das pistas principais, verdes e sem uma casa sequer... Vi como apesar de ser ter uma idéia de um DF sem montanhas, há um razoável relevo sim, belas "montanhinhas baixas" em diversas áreas. Vi que os condomínios do Jardim Botânico (junto da Esaf), de classe "média média", quando vistos bem do alto, não são tão diferentes da "cidade" muito mais pobre de São Sebastião. Mesmo porque ambas são regiões de casas bem juntas umas das outras e ruas estreitas...

Bom, escrevo essa mensagem já do trabalho... E fico por aqui! Depois mando o endereço com algumas fotos "diferentes" que fiz na viagem...

Até minha viagem de 2007!

Por enquanto é só... Até minha próxima viagem!


Veja meus outros Diários de Viagem:
- Viagem a Belgrado, Zagreb, Ljubljana e Viena
- Viagem a Beirute, Istambul, Sofia, Bucareste, Budapeste e Milão
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© Augusto C. B. Areal

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